sábado, 2 de outubro de 2010

Julgamos e somos julgados.


     Atualmente, o caráter das pessoas é medido pelo número de seguidores que ela tem no Twitter. Logo, ela pode ser adepta à qualquer modinha, qualquer idiotice, que ela vai ser uma pessoa de bom caráter. Ela escuta o "rebolation é bom bom" durante todo o verão e canta, depois vai xingar o Léo Santana no Twitter por ter criado essa maldita música, só porque faz parte da família Restart. Ela sempre procuro ser discreta, agora usa aquelas calças fluorescentes.
     Ela nunca compro uma edição qualquer da Capricho, mas porque as amigas/os comentam sobre os Colírios, passa a comprar todas. Além dos Colírios ela descobre o bebê Justin, que não tirou nem as fraldas ainda e já tem milhares de fãs pelo mundo. MODINHA! Modinha sim, assim como Fiuk. Existem pessoas que batalham a vida inteira para atingir o sucesso, mas não são valorizadas. Então, um filho de papai que não tem porra de capacidade nenhuma aparece como protagonista da Malhação e cria uma banda. Por quê? Ele é filho de uma celebridade, as portas estão abertas para ele.
     Ela janta escutando o Jornal Nacional que informa coisas grotescas e polêmicas como o caso da Suzane von Richthofen, CPI do dinheiro na cueca, padres pedófilos, Isabela Nardoni, goleiro Bruno, mas não dá bola. Prefere jantar logo e voltar para frente do computador para ver o que já falaram no Twitter durante sua ausência.
     Ela protesta quando criticam o orgulho colorido, mas não nota que deveria se manifesta conta as drogas, a ditadura militar, o divórcio, o preconceito, o capitalismo, o aborto, a violência, os padrões de beleza que a mídia impõe, as garotas que engravidam com 12 anos, as mulheres que se vulgarizam, as mulheres frutas, as fofocas.
     Ela crítica o funk, os emos, os posers, os nerds, mas não aceita as opiniões alheiras e não tem um conceito formado sobre o que ela quer no futuro. Ela nem se preocupa em procurar as ideias dos candidatos a presidência. Ela nem sabe em quem votar.
     Ela ainda não aprendeu que a gente julga com a mesma severidade que somos julgados.

OBS.: Eu tenho medo do que possam ser as próximas gerações.

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