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segunda-feira, 30 de julho de 2012

O menos faltoso entre os Deputados Federais.


Cosme Rimoli: - Você foi recebido com preconceito em Brasília?
Romário: - Olha, vou ser claro para quem ler entender como as coisas são. Há o burro, aquele que não entende o que acontece ao redor. E há o ignorante, que não teve tempo de aprender. Não houve preconceito comigo porque não sou nem uma coisa nem outra. Mesmo tendo a rotina de um grande jogador que fui, nunca deixei de me informar, estudar. Vim de uma família muito humilde. Nasci na favela. Meu pai, que está no céu, e minha mãe ralaram para me dar além de comida, educação. Consciência das coisas... Não só joguei futebol. Frequentei dois anos de faculdade de Educação Física. E dois de moda. Sim, moda. Sempre gostei de roupa, de me vestir bem. Queria entender como as roupas eram feitas. Mas isso é o de menos. O que importa é que esta sede de conhecimento me deu preparo para ser uma pessoa consciente... Preparada para a vida. E insisto em uma tese em Brasília, com os outros deputados. O Brasil só vai deixar de ser um país tão atrasado quando a educação for valorizada. O professor é uma das classes que menos ganha e é a mais importante. O Brasil cria gerações de pessoas ignorantes porque não valoriza a Educação e seus professores. Não há interesse de que a população brasileira deixe de ser ignorante. Há quem se beneficie disso. As pessoas que comandam o País precisam passar a enxergar isso. A Saúde é importante? Lógico que é. Mas a Educação de um povo é muito mais.

Cosme Rimoli: - Essa ignorância ajuda a corrupção? Por exemplo, que legado deixou o Pan do Rio?
Romário: - Você não tenha dúvidas que a ignorância é parceira da corrupção. Os gastos previstos para o Pan do Rio eram de, no máximo, R$ 400 milhões. Foram gastos R$ 3,5 bilhões. Vou dar um testemunho que nunca dei. Comprei alguns apartamentos na Vila Panamericana do Rio como investimento. A melhor coisa que fiz foi vender esses apartamentos rapidamente. Sabe por quê? A Vila do Pan foi construída em cima de um pântano. Está afundando. O Velódromo caríssimo está abandonado. Assim como o Complexo Aquático Maria Lenk... É um escândalo! Uma vergonha! Todos fingem não enxergar. Alguém ganhou muito dinheiro com o Pan do Rio. A ignorância da população é que deixa essa gente safada sossegada. Sabe que ninguém vai cobrar nada das autoridades. A população não sabe da força que tem. Por isso que defendo os professores. Não temos base cultural nem para entender o que acontece ao nosso lado. E muito menos para perceber a força que temos. Para que gente poderosa vai querer a população consciente? O Pan do Rio custou quatro vezes mais do que este do México. Não deixou legado algum e ninguém abre a boca para reclamar.

Cosme Rimoli: - Se o Pan foi assim, a Copa do Mundo no Brasil será uma festa para os corruptos?
Romário: - Vou te dar um dado assustador. A presidente Dilma havia afirmado quando assumiu que a Copa custaria R$ 42 bilhões. Já está em R$ 72 bilhões. E ninguém sabe onde os gastos vão parar. Ninguém. Com exceção de São Paulo, Rio, Minas, Rio Grande do Sul e olhe lá... Pernambuco, todas as outras sete arenas não terão o uso constante. E não havia nem a necessidade de serem construídas. Eu vi onze das doze... Estive em onze sedes da Copa e posso afirmar sem medo. Tem muita coisa errada. E de propósito para beneficiar poucas pessoas. Por que o Brasil teve de fazer 12 sedes e não oito como sempre acontecia nos outros países? Basta pensar. Quem se beneficia com tantas arenas construídas que servirão apenas para três jogos da Copa? É revoltante. Não há a mínima coerência na organização da Copa no Brasil.

Cosme Rimoli: - São Paulo acaba de ser confirmado como a sede da abertura da Copa. Você concorda?
Romário: - Como posso concordar? Colocaram lá três tijolinhos em Itaquera e pronto... E a sede da abertura é lá. Quem pode garantir que o estádio ficará pronto a tempo? Não é por ser São Paulo, mas eu não concordaria com essa situação em lugar nenhum do País. Quando as pessoas poderosas querem é assim que funcionam as coisas no Brasil. No Maracanã também vão gastar uma fortuna, mais de um bilhão. E ninguém tem certeza dos gastos. Nem terá. Prometem, falam, garantem mas não há transparência. Minha luta é para que as obras não fiquem atrasadas de propósito. E depois aceleradas com gastos que ninguém controla.

Cosme Rimoli: - O que você acha de um estádio de mais de R$ 1 bilhão construído com recursos públicos e entregue para um clube particular?
Romário: - Você está falando do estádio do Corinthians, não é? Não vou concordar nunca. Os incentivos públicos para um estádio particular são imorais. Seja de que clube for. De que cidade for. Não há meio de uma população consciente aceitar. Não deveria haver conversa de politico que convencesse a todos a aceitar. Por isso repito que falta compreensão à população do que está acontecendo no Brasil para a Copa.

Cosme Rimoli: - A Fifa vai fazer o que quer com o Brasil?
Romário: - Infelizmente, tudo indica que sim. Vai lucrar de R$ 3 a R$ 4 bilhões e não vai colocar um tostão no Brasil. É revoltante. Deveria dar apenas 10% para ajudar na Educação. Iria fazer um bem absurdo ao Brasil. Mas cadê coragem de cobrar alguma coisa da Fifa. Ela vai colocar o preço mais baixo dos ingressos da Copa a R$ 240,00. Só porque estamos brigando pela manutenção da meia entrada. É uma palhaçada! As classes C, D e E não vão ver a Copa no estádio. O Mundial é para a elite. Não é para o brasileiro comum assistir.

Cosme Rimoli: - Ricardo Teixeira tem condições de comandar o processo do Mundial de 2014?
Romário: - Não tem de saúde. Eu falei há mais de quatro meses que ele não suportaria a pressão. Ser presidente da CBF e do Comitê Organizador Local é demais para qualquer um. Ainda mais com a idade que ele tem. Não deu outra. Caiu no hospital. E ainda diz que vai levar esse processo até o final. Eu acho um absurdo.

Cosme Rimoli: - Muito além da saúde de Ricardo Teixeira. Você acha que pelas várias denúncias, investigações da Polícia Federal... Ele tem condições morais de comandar a organização Copa no Brasil?
Romário: - Não. O Ricardo Teixeira não tem condições morais de organizar a Copa. Não até provar que é inocente. Que não tem cabimento nenhuma das denúncias. Até lá, não tem condições morais de estar no comando de todo o processo. Muito menos do futebol brasileiro... A África apresentou há alguns meses atrás o resultado final da Copa do Mundo: deu prejuízo e grande. Agora é a vez do Brasil. Fifa, CBF, políticos e os empreiteiros vão ganhar muito dinheiro. Quem teve a ideia de promover, o evento em nosso país, alguém sabe?
TV Record

quarta-feira, 27 de julho de 2011

Eu falhei.


"Errei mais de 9 mil cestas e perdi quase 300 jogos. Em 26 diferentes finais de partidas, fui encarregado de jogar a bola que venceria o jogo... e falhei. Eu tenho uma história repleta de falhas e fracassos em minha vida. E, é exatamente por isso, que sou um sucesso."
Michael Jordan

sábado, 16 de abril de 2011

terça-feira, 5 de abril de 2011

O Beira-Rio não conjuga o verbo temer.


  O Beira-Rio pulsa. Grita. Sente. No silêncio da noite, na indiferença da tarde, na revoada da manhã, o Beira-Rio está constrito, está calado, contemplativo, esperando o grande momento, da grande partida. 
  O estádio tem vida. Dentro de nós há um Beira-Rio que se admite eterno, que se vê e se sente feliz por ser a casa do Inter. Uma casa de fé, de amor, de devoção. Uma casa de espera, de lágrimas e sorrisos, de sentimentos infinitos que acusam uma amplitude eterna, um esforço universal. Nas entranhas do Beira-Rio há um amor que teimou em ser desafiado e a cada dor mais cresceu, mais amor se tornou. Amor de verdade, como esse, não sente medo: cala e sofre, mas não desiste. O Beira-Rio tem um idioma próprio. O Beira-Rio não conjuga o verbo temer.
  O concreto do Inter, o mar do Inter. A igreja desse sentimento. O templo está armado para o sacerdócio da linda obstinação, o templo não pode ser profanado: a fé dos seguidores o sustenta com vigas invisíveis, inquebrantáveis. Os fiéis crêem, esperam, deliberam nervosos, apreensivos: querem navegar o mar que é seu. Amam a fé, amam o templo. Sonham abarcar o mundo com o peso daquela mística que só o coração deles entende – o templo os acolhe. Templo fecundo, carinhoso. Templo-mãe de todos nós.
  Os colorados fecham os olhos. Pela vida afora, somos vergonhosamente imperfeitos: não acusamos nossos disfarces, restringimo-nos em egoísmos estéreis mas, ao fim e ao cabo, resta sempre nós mesmos a enfrentar. Há sempre esse "eu" próprio que nos fala ao coração pela autoridade do sentimento e que nos convence porque se trata da nossa própria voz, íntima e inesquecível, nos chamando ao encontro daquilo que queremos ser. 
  Mais cedo ou mais tarde, sempre nos deparamos com esse chamado pessoal, que chega sem avisar. Tal encontro nos abarca a vida toda, e a justifica, e nesse momento somos perfeitos. Aqui e agora mesmo, colorados, está entre nós essa consciência, essa ligação sublime de cada um com sua própria eternidade. Ela está aqui, e ela vem e nos remete o aviso ao lugar mais profundo do coração: a hora chegou. A hora aqui está. 
O Beira-Rio já está pronto, colorado. Chegue perto dele, dirija-se a ele com aquela intimidade que é filha do amor, mesmo que haja entre vocês dois um globo inteiro de distância. Cerre os olhos, abra o coração e ouça: a hora chegou, a hora aqui está. Para falar a si mesmo, a distância é nenhuma.
Feche os olhos. São noventa minutos. Onze guerreiros, milhões de fiéis. O Inter chama. O Inter diz presente. Feche os olhos e venha. A distância é nenhuma. A hora chegou.

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

A rivalidade do clássico Gre-Nal.


     Há mais de um século, na cidade de Porto Alegre, capital gaúcha, foram fundados dois clubes de futebol, que hoje podemos chamar de "gigantes imortais da América".
     Ali surgia a maior rivalidade do mundo, mas devemos considerar a maior paixão do povo gaúcho.
     De um lado, um time formado pela tradicional elite gaúcha, que vestia o manto azul celeste combinado com listras pretas e brancas. Conhecido hoje como "imortal tricolor" ou "tricolor gaúcho". Sua base de time era caucasiana, um time forte já pela época. Pelo fato desta base ter descendência italiana e até mesmo espanhola, que juntos resultam na mesma descendência dos argentinos - guerreiros até o último segundo, um verdadeiro mosqueteiro.
     Do outro lado da capital, alguns anos depois, os irmãos Poppe eram fascinados pelo vermelho, que junto com o branco, se destacavam sobre a pele dos negros. A primeira "geração" de jogadores colorados foi formada pela base da Liga da Canela Preta, um nome pejorativo dado aos jogos, na verdade as famosas peladas, das quais somente negros participavam. O mascote colorado? O saci. Talvez porque a palavra saci, se retirada a letra a, forme a sigla do clube, talvez por ser negro, talvez por levar tanta rasteira que acabou sem uma perna.
     Não há nada mais motivador, emocionante e intrigante do que a rivalidade do clássico Gre-Nal. Antigamente poderíamos dizer que isso só valeria para os gaúchos, mas engana-se quem ainda acredita nisso. Com o passar deste centenário, gremistas e colorados se espalharam pelo país e pelo mundo, fazendo com que o Gre-Nal fosse reconhecido INTERNACIONALMENTE pela FIFA como "A maior rivalidade do mundo".
     Ok. Até aí nada que os dois clubes não mereçam. Por trás de toda essa grandiosidade desse clássico, houve muita coisa que certamente não gostaríamos de lembrar, mas às vezes me parece necessário.
     Dentro das quatro linhas do campo é indiscutível que os jogadores dão a vida pela partida. Já houve fraturas, brigas, sangue e cuspe na cara do adversário. A torcida, não menos importante que os próprios jogadores, já queimaram banheiros ecológicos no estádio do adversário, já brigaram na saída do mesmo, já houve mortes. Não que isso seja um exemplo a ser seguido, pelo contrário.
     Felizmente, os fatos citados no último parágrafo foram colocados no pretérito. Pois é. De fato, isso acontecia mesmo e as torcidas se orgulhavam. Atualmente, os jogadores, as torcidas organizadas e os torcedos independentes perceberam que essa "guerra" por causa do futebol não adianta em nada. É saudável sim, a discussão, as piadas, os deboches, mas que não passe disso.
     Ao terminar a última rodada do campeonato brasileiro desse ano, foi possível acompanhar pelos noticiários de televisão sobre o grupo de torcedores do Atlético-MG que espancaram o jovem torcedo do Cruzeiro, de apenas 19 anos, até a morte. Por que isso?
     Há uns dois anos trás, uma cena me chamou atenção... Era uma partida do clássico Gre-Nal no Beira-Rio e uma loira, torcedora gremista, que não deveria conhecer o gigante construído sobre as águas do Guaíba, entrou por engano em um dos portões destinados a torcida colorada. Na hora eu pensei que ela ia ser socada até a morte, mas me enganei. Com um gesto de paz, tudo o que eu tinha imaginado até então tinha ido por água a baixo. Uma torcedora colorada, morena, abraçou a loira gremista e a levou até o portão novamente, indicando a qual portão a torcedora adversária deveria se direcionar. Aquilo me calou.
     Hoje, meu time jogou pelo Mundial de FIFA Interclubes, mas acabou perdendo de um time que até então desconhecia. Na hora fiquei chateada. Quem não ficaria? Todavia, devo me orgulhar. Torço para um clube do sul, um dos maiores clubes do país e da América. Que juntamente com o meu caro co-irmão e rival, formamos uma dupla de raça, que guarda no seu passado uma bela história de superação e um presente de glórias. E tem mais, quando as torcidas e os clubes se unem, NÓS SOMOS IMBATÍVEIS!
     Minhas eternas saudações aos colorados e aos gremistas, exemplos a serem seguidos por todas as torcidas (organizadas ou não) do planeta.