terça-feira, 14 de dezembro de 2010

A rivalidade do clássico Gre-Nal.


     Há mais de um século, na cidade de Porto Alegre, capital gaúcha, foram fundados dois clubes de futebol, que hoje podemos chamar de "gigantes imortais da América".
     Ali surgia a maior rivalidade do mundo, mas devemos considerar a maior paixão do povo gaúcho.
     De um lado, um time formado pela tradicional elite gaúcha, que vestia o manto azul celeste combinado com listras pretas e brancas. Conhecido hoje como "imortal tricolor" ou "tricolor gaúcho". Sua base de time era caucasiana, um time forte já pela época. Pelo fato desta base ter descendência italiana e até mesmo espanhola, que juntos resultam na mesma descendência dos argentinos - guerreiros até o último segundo, um verdadeiro mosqueteiro.
     Do outro lado da capital, alguns anos depois, os irmãos Poppe eram fascinados pelo vermelho, que junto com o branco, se destacavam sobre a pele dos negros. A primeira "geração" de jogadores colorados foi formada pela base da Liga da Canela Preta, um nome pejorativo dado aos jogos, na verdade as famosas peladas, das quais somente negros participavam. O mascote colorado? O saci. Talvez porque a palavra saci, se retirada a letra a, forme a sigla do clube, talvez por ser negro, talvez por levar tanta rasteira que acabou sem uma perna.
     Não há nada mais motivador, emocionante e intrigante do que a rivalidade do clássico Gre-Nal. Antigamente poderíamos dizer que isso só valeria para os gaúchos, mas engana-se quem ainda acredita nisso. Com o passar deste centenário, gremistas e colorados se espalharam pelo país e pelo mundo, fazendo com que o Gre-Nal fosse reconhecido INTERNACIONALMENTE pela FIFA como "A maior rivalidade do mundo".
     Ok. Até aí nada que os dois clubes não mereçam. Por trás de toda essa grandiosidade desse clássico, houve muita coisa que certamente não gostaríamos de lembrar, mas às vezes me parece necessário.
     Dentro das quatro linhas do campo é indiscutível que os jogadores dão a vida pela partida. Já houve fraturas, brigas, sangue e cuspe na cara do adversário. A torcida, não menos importante que os próprios jogadores, já queimaram banheiros ecológicos no estádio do adversário, já brigaram na saída do mesmo, já houve mortes. Não que isso seja um exemplo a ser seguido, pelo contrário.
     Felizmente, os fatos citados no último parágrafo foram colocados no pretérito. Pois é. De fato, isso acontecia mesmo e as torcidas se orgulhavam. Atualmente, os jogadores, as torcidas organizadas e os torcedos independentes perceberam que essa "guerra" por causa do futebol não adianta em nada. É saudável sim, a discussão, as piadas, os deboches, mas que não passe disso.
     Ao terminar a última rodada do campeonato brasileiro desse ano, foi possível acompanhar pelos noticiários de televisão sobre o grupo de torcedores do Atlético-MG que espancaram o jovem torcedo do Cruzeiro, de apenas 19 anos, até a morte. Por que isso?
     Há uns dois anos trás, uma cena me chamou atenção... Era uma partida do clássico Gre-Nal no Beira-Rio e uma loira, torcedora gremista, que não deveria conhecer o gigante construído sobre as águas do Guaíba, entrou por engano em um dos portões destinados a torcida colorada. Na hora eu pensei que ela ia ser socada até a morte, mas me enganei. Com um gesto de paz, tudo o que eu tinha imaginado até então tinha ido por água a baixo. Uma torcedora colorada, morena, abraçou a loira gremista e a levou até o portão novamente, indicando a qual portão a torcedora adversária deveria se direcionar. Aquilo me calou.
     Hoje, meu time jogou pelo Mundial de FIFA Interclubes, mas acabou perdendo de um time que até então desconhecia. Na hora fiquei chateada. Quem não ficaria? Todavia, devo me orgulhar. Torço para um clube do sul, um dos maiores clubes do país e da América. Que juntamente com o meu caro co-irmão e rival, formamos uma dupla de raça, que guarda no seu passado uma bela história de superação e um presente de glórias. E tem mais, quando as torcidas e os clubes se unem, NÓS SOMOS IMBATÍVEIS!
     Minhas eternas saudações aos colorados e aos gremistas, exemplos a serem seguidos por todas as torcidas (organizadas ou não) do planeta.

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