Neste físico de um Deus grego,
numa intensa relação,
eu, pálida e bêbada, tremo
e me afogo e me sufoco
entre loucura e paixão.
No meu seio serás meu,
para o uso que eu quiser.
Nos teus braços me abandono,
ao teu lado sou mulher.
Quero fundir o meu corpo
no teu corpo junto ao meu.
Nos teus braços serei cega
para que sejas o meu guia.
Nós seremos a matéria,
o nosso amor será a energia.
Se esse amor me modifica,
me transforma, me edifica.
Se ele afeta tanto a mim,
também te transformará.
A energia desse amor
afetou-nos para sempre
e a matéria que hoje somos
outra matéria será...
Seremos dois novos amantes
pelo amor energizados,
transformados.
Mas em quê?
Em quem tu eras antes de mim
ou quem sou eu depois de você?

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