Um dia desses, você gritará: "Por que vocês não crescem e param de agir como crianças?", e isso acontecerá. Ou talvez você diga: "Vão lá fora e arranjem alguma coisa para fazer e não batam a porta!", e não baterão.
Arrumará o quarto de seu filho com esmero. Jogará fora todos os adesivos, esticará os lençóis, pendurará as roupas nos cabides, organizará as prateleiras e todos os brinquedos. Em seguida dirá: ”Agora quero que este quarto fique arrumadinho assim”. E ele ficará.
Preparará um jantar perfeito com uma salada onde ninguém beliscou e um bolo sem marcas de dedo na cobertura. E dirá: "Finalmente, consegui preparar uma refeição digna de um rei!", mas comerá sozinha. Dirá: "Quero poder conversar ao telefone sem interrupções. Sem ninguém pulando ao meu redor. Sem caretas. Silêncio! Estão ouvindo?", e isso acontecerá. Suas toalhas de mesa não terão manchas de tomate. Não terá que cobrir o sofá e a política com panos para protegê-los de traseiros molhados ou pés sujos.
Não encontrará caminhões nem bonecas de baixo do sofá. Não passará mais noites em claro, junto ao vaporizador. Não encontrará farelo de pão nos lençóis nem o chão do banheiro alagado após o banho. Acabaram-se os remendos nas pernas das calças, os cadarços molhados e embolados, os elásticos para prender os cabelos. Imagine um batom sem a ponta estragada!
Pode sair a noite sem ter que arranjar alguém para ficar com as crianças, lavar roupa somente uma vez por semana, ir ao mercado e comprar somente aquilo que deseja. Como será bom não ter que ir à escola para reunião de pais, não ter que levar ou buscar ninguém. Não ganhará mais presentes feitos de papel-cartão e cola. Ninguém mais lhe dará beijos com a boca suja de bala. Não haverá dentes de leite para arrancar, nem risinhos no quarto ao lado. Acabaram-se os joelhos arranhados, acabou-se a responsabilidade. Restará somente uma voz gritando: "Por que vocês não crescem logo e param e agir como crianças?"
E o silêncio responderá: "Crescemos."

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